Adnet fica preso a texto sem voos de ‘O Dentista Mascarado’


Marcelo Adnet e Taís Araújo em cena de 'O Dentista Mascarado' (Foto: Estevam Avellar/TV Globo)

Equipe afinada de “Os normais”, “Os aspones”, “Minha nada mole vida”, “Separação?!” e “Macho man”, Fernanda Young e Alexandre Machado (autores) e José Alvarenga (diretor) são os reis da marcação. No melhor sentido: há sempre uma intenção por trás de cada palavra, inteligência na trilha, meticulosidade nas caracterizações e por aí vai. Já Marcelo Adnet, estrela de “O Dentista Mascarado”, estreia da última sexta na Globo e produção do trio, é o gênio do improviso, embora seja também ator. Talento do stand up, ele não produz apenas piadas cotidianas: tem repertório e uma rapidez no gatilho do humor, fruto de uma incontinência verbal, perfeita para o ofício.

Apesar dessa conjugação de valores, “O Dentista Mascarado” não correspondeu à enorme expectativa que o cercava. As marcas fortes de todos os envolvidos, em vez de se potencializar, se hierarquizam. O script predominou e limitou o brilho do humorista. Para piorar, o texto da dupla, normalmente muito inspirado, enveredou pelas piadas grosseiras. E mesmo a vulgaridade soou calculada, falsa demais para provocar sequer um riso de nervoso. Adnet possui infinitamente mais brilho do que mostrou. O que coube a ele falando as tiradas alheias? Um personagem que poderia ter sido dado a qualquer outro (bom) ator de comédia. Houve, entretanto, uma surpresa: Taís Araújo. Ao contrário de Adnet, ela se beneficiou da mão forte da direção. Sua Sheila teve direito às melhores falas (“os otários mais otários da História do otarismo” foi muito bom) e o efeito de modificação de voz divertiu. A vinheta, em HQ, foi outro acerto. Mas a tentativa de usar a linguagem dos quadrinhos no programa ficou no meio do caminho.

Tudo isso não significa que “O Dentista Mascarado” não possa ganhar potência. O elenco — além de Adnet e de Taís, Leandro Hassum e Otávio Augusto — é excelente. Os autores merecem crédito por terem assinado algumas das melhores produções da TV recentes. E Alvarenga não costuma errar. Ficou a impressão de que evitaram arriscar e, por isso, caíram na fórmula pronta. Em outras palavras, a ambição foi modesta dado o naipe do improvisador. É torcer para que a balança se reconfigure.

Patrícia Kogut

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